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segunda-feira, 8 de junho de 2009

Coleção

Uma pequena coleção de citações de fotógrafos que eu gosto:


"The photograph is completely abstracted from life, yet it looks like life. That is what has always excited me about photography." - Richard Kalvar






"A photographer is an acrobat treading the high wire of chance, trying to capture shooting stars." - Guy Le Querrec





"I'm known for taking pictures very close, and the older I get, the closer I get." - Bruce Gilden






"The camera is an excuse to be someplace you otherwise don't belong. It gives me both a point of connection and a point of separation." - Susan Meiselas


PS: Todos fotógrafos da Magnum Photos.
PS2: Sim, eu idolatro a Magnum.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Linda Eastman

Uma excelente artista que começou fotografando os famosos na década de 60 e assim cavou seu caminho para ser credenciada pela revista Rolling Stones, aumentando assim seu "studio" artístico, conhecendo então Janis Joplin, The Who, The Rolling Stones, The Beatles e assim seu futuro marido, Paul McCartney.

Assombrada (pelo menos no google) pela fama do seu ex-marido besourinho, Linda acaba sendo referida como a falecida mulher do baixista da maior banda que o mundo já teve, sendo que seu trabalho individual como ativista vegetariana e especialmente como fotógrafa é algo digno de um artigo próprio no wikipedia e um post neste blog.

Apesar de ter excelentes fotos no período em que passeou por entre os famosos, acho muito melhores as suas fotos caseiras com o Paul e seus três filhos: Mary (hoje fotógrafa também), Stella e James.


PS: Com este post percebi que o gosto por uma foto é realmente uma coisa muito individual. Queria postar uma foto do James, tirada pela Linda, entitulada "My Life" que vi há algum tempo, sendo que passei a última meia hora vasculhando o google para não encontrá-la em lugar algum.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

"Um" de Daniel

Muitas vezes nos deparamos com uma obra que define a própria arte, como acontece frequentemente comigo na fotografia, a minha favorita. Apesar de ter meus filmes prediletos [Pulp Fiction, Lua de Fel, Goodfellas, etc] , poucas vezes tive essa sensação com o cinema e nunca em um filme na sua totalidade, mas somente em algumas cenas. [vide post passado]


Foi então que assisti "8 e 1/2" (1963) do famoso Frederico Fellini e já na primeira cena tive o mesmo pensamento de quando vi o começo de Apocalypse Now [vide post passado(2)]. A fotografia é como eu sempre sonhei e esperei ver em um filme. Enquadramento e contraste perfeitos, como se cada frame fosse uma fotografia digna de premiação. Além de esbanjar na qualidade técnica, a criatividade dos enquadramentos também é algo invejável, sem falar do trabalho feito com os planos da imagem, deixando todas as cenas completas de forma que quando algo se desfecha no plano de fundo, imediatamente o foco muda e o primeiro plano começa a ser o centro das atenções, tendo assim uma direção muito dinânica, o que leva o espectador a entrar e a se sentir parte do mundo que está assistindo. Só senti isso com "8 e 1/2" e com "Os Sonhadores" do Bertolucci, portanto deve ser coisa de italiano; isso de querer ser sempre dinâmico e hospitaleiro, até com os filmes.

O enredo, assim como li em todos os sites da internet, é o de um diretor, chamado Guido, com um "bloqueio criativo" e que busca inspiração enquanto luta contra os seus problemas pessoais em meio a algumas lembranças da sua infância. Na minha opinião pessoal [e tenho certeza de que não é original], este enredo está errado e o diretor não passa por bloqueio algum e sabe exatamente o que está fazendo; está dirigindo o próprio filme em que está atuando como diretor, o "8 e 1/2". Isso fica muito claro em uma cena na qual ele fala que no seu filme terá de tudo, até um marinheiro sapateando, nisso um marinheiro passa pela cena e Guido diz que se ele sapatear, terá um papel no filme, e voilá, temos um marinheiro sapateando no filme. Não dá para ser mais metalinguístico do que isso.

Fica evidente que Fellini foi uma das principais fontes de inspiração do grande David Lynch, principalmente pelo risoto de sonho e realidade, do qual não é possível distinguir as partes tão claramente quanto se pensa à primeira vista. É claro que Lynch leva isso muitos passos adiante, o que se dá para notar só de ler os títulos traduzidos das suas obras.

"8 e 1/2" é um filme brilhante, fruto de uma mente artisticamente genial e que superou todas as minhas expectativas quanto ao cinema como arte, ganhando assim o primeiro lugar no meu ranking de filmes.

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PS: O nome "8 e 1/2" se deve a este ser o oitavo e meio filme feito pelo Fellini, tendo antes feito seis longas, dois curtas [portanto meio filme cada] e um meio longa, no qual ele foi co-diretor [portanto dirigiu só metade].

sábado, 15 de novembro de 2008

Pagação de Pau

Nesses últimos tempos comecei a ler alguns livros mais teóricos sobre fotografia, já que é isso que pretendo estudar pelo resto da vida. Entre eles está o clássico "A Câmara Clara", de Roland Barthes. Dentre as inúmeras coisas que ele diz sobre a fotografia e o que nos faz gostar mais de uma do que outra, está a divisão dela entre o Studium e o Punctum. O Studium, como o nome já diz, é o ambiente no qual fotografia está situada, não só o ambiente físico, mas também o histórico e representativo da situação. Para explicar o Punctum, cito as próprias palavras do Barthes: "Não sou eu que vou procurá-lo, é ele que salta da cena, como uma seta, e vem trespassar-me. (...) O punctum de uma fotografia é esse acaso que nela me fere". Citando Gera Samba, "é o tchan" da fotografia! Vale lembrar que toda fotografia possui um Studium, mas somente algumas possuem um Punctum.

Acho interessante a maneira masoquista com que Barthes vê a fotografia no geral. Para ele, uma foto é a morte de uma realidade passada e nós tentamos identificar traços de nós mesmos nela para reagirmos com emoções já conhecidas por nós, enquanto que o Punctum está lá para apunhalar nossa barriga e quebrar todo nosso senso enquanto tentamos nos encontrar no meio do Studium.

Enfim, estava fuçando o site da Magnum Photos, a maior agência de fotojornalismo que já existiu, e vi uma série de fotos sobre os protestos contra a goblalização, feitos na reunião do G8 em Gênova, na Itália. Eis que encontro essa foto do Thomas Dworzak:

(Clique na foto para ampliar)

O senhor gordo olhando para a câmera com sua roupa de caminhada e a mulher no outdoor atrás me ferem no meio desse Studium repleto de revoluções, policiais, repressão, etc. Ao notar o Punctum é que a fotografia deixa de ser descritiva e se torna algo a mais, algo ou alguém interessante com quem quero "conversar". Para mim, este é ponto máximo que um Punctum pode chegar.